É preciso movimentar-se

É preciso movimentar-se

Movimento é vida. Não sei se alguém já disse isso antes. Provavelmente não é novidade para ninguém. Imaginem que a vida é como um monitor cardíaco, com seus altos e baixos. Quando a linha do monitor se estabiliza, já era.

Parece ser uma coisa tão óbvia, mas ao mesmo tempo tão difícil de se fazer. Pense bem, quando foi a última vez que conversou com alguém completamente estranho na rua? Atualmente, com os adventos tecnológicos, como o google maps, por exemplo, nem mais para pedir informação precisamos interagir com outra pessoa. Está tudo ali, já pronto. Ai vem aquela pessoa completamente moderna e diz: “Calma, lá, calma lá. Temos o Waze! As pessoas interagem no Waze.”

Não me entendam mal. Eu mesma sou usuária de todos os apps e gadgets novos do mercado, adoro tecnologia. Entretanto, existe uma diferença enorme entre os dois tipos de interação. Legal saber que você pode conhecer gente estranha. Falar mal do trâsito de São Paulo com o desconhecido que se encontra preso no engarrafamento, há quatro quilômetros de distância de você. Porém, aquilo que mexe nas suas entranhas, aquilo que faz o sangue circular, é o contato com gente.

É ir ao Mercadão de São Paulo e conversar com o vendedor, simplesmente para saber que negócio estranho é aquele na sua frente, e que você supõe que seja uma fruta. É andar pelas ruas e ajudar o senhor que acabou de deixar sua carteira cair. É ver uma criança correndo, com a mãe desesperada atrás. É ir a uma parte diferente da cidade, ou em uma cidade diferente, e ter que perguntar para as pessoas aonde existe uma farmácia por perto. É ter medo de ser assaltado e mesmo assim continuar andando, fazer o que?!

Tolstoi já dizia que mesmo que os humanos tenham tentado ao máximo, pavimentando com o solo com pedras para que nada crescesse, a grama sempre revive e mostra seu verde e “a primavera, entretanto, ainda era primavera, mesmo na cidade”.

Enfim, movimento é isso. É estar disponível para o novo. Aberto para os imprevistos, para coisas novas. Sejam elas boas ou ruins. É exatamente amigar-se deste descontrole cotidiano que torna a monotonia suportável. É o movimento do novo em pequenas atitudes durante o dia que mantém o monitor cardíaco com seus altos e baixos. E não me refiro a altos e baixos de estresse de trabalho, porque você tem que fazer isso, porque seu chefe mandou fazer aquilo. Refiro-me aqui aos altos e baixos significativos e relevantes para cada um de nós, para que se mantenha a labareda da admiração pela vida sempre acesa.

 Daniela Panisi

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