FILMES ‘MELOSOS’ AGEM COMO TERAPIA PARA CASAIS

Tara Parker-Pope

Extraído do “THE NEW YORK TIMES” EM 11/03/2013

“Filmes melosos” -como “Laços de Ternura” ou “Diário de uma Paixão”-, que geralmente deixam as mulheres em prantos e os homens entediados, são um dos grandes divisores nos relacionamentos entre um homem e uma mulher. Mas um novo estudo mostra que os filmes emotivos, na verdade, podem reforçar os relacionamentos.

Um estudo da Universidade de Rochester descobriu que os casais que assistiam e conversavam sobre questões expostas em filmes como “Flores de Aço” e “Love Story – Uma História de Amor” tinham menor probabilidade de se separarem ou se divorciarem do que os casais de um grupo de controle.

De modo surpreendente, a intervenção de “Love Story” foi tão eficaz para manter os casais juntos quanto dois métodos de terapia intensiva: o método CARE (que enfoca a aceitação e a empatia no aconselhamento de casais) e o PREP (que se concentra no estilo de comunicação específico que os casais usam para resolver os problemas).

Stuart Bradford

Os pesquisadores queriam uma terceira opção que permitisse que os casais interagissem sem um aconselhamento intensivo.

Encontraram a intervenção fílmica. Nela, faziam os casais assistirem a cinco filmes e depois participarem de discussões guiadas. Os pesquisadores escolheram filmes que mostravam altos e baixos de casais em seus relacionamentos.

Um quarto grupo não recebeu aconselhamento ou recebeu apenas tarefas de autoajuda e serviu como grupo de controle.

Para surpresa dos pesquisadores, a intervenção fílmica funcionou tão bem quanto os dois métodos estabelecidos de terapia para reduzir o divórcio e a separação.

Entre os 174 casais estudados, os que receberam aconselhamento conjugal ou participaram da intervenção fílmica tinham a metade da probabilidade de se divorciarem ou de se separarem depois de três anos, em comparação com os casais do grupo de controle. O índice de divórcio ou separação foi de 11% nos grupos de intervenção, comparado com 24% no grupo de controle.

As conclusões foram publicadas na edição de dezembro do “Journal of Consulting and Clinical Psychology”.

Ronald D. Rogge, o principal autor do estudo, e seus colegas vêm recrutando casais desde então para estudar o efeito da intervenção fílmica em diferentes relacionamentos. Megan Clifton, uma estudante de 27 anos de Knoxville, Tennessee, viveu com seu namorado durante dois anos. Ela diz que os dois têm “ótima comunicação”, mas ela decidiu tentar a intervenção fílmica.

Enquanto assistia a “Uma Noite Fora de Série”, com Tina Fey e Steve Carell, o casal riu em uma cena em que o marido não consegue fechar as gavetas e as portas de um armário.

“Quando estávamos vendo o filme, eu disse: ‘Esse é você!’ e foi engraçado”, disse Clifton. “Acabamos rindo daquilo e a situação nos ajudou a examinar nosso relacionamento e nossos problemas de maneira bem-humorada.”

Novas pesquisas são necessárias para validar o método fílmico. Uma falha do estudo é que o grupo de controle não foi aleatório.

Mas o doutor Rogge, resumindo o valor que ele vê nesse método, disse: “Acredito que é a profundidade das discussões após cada filme e quanto esforço, tempo e introspecção os casais dedicam a essas discussões que vão mostrar como eles se relacionarão dali em diante”.

 * o texto original do “The New York Times” foi publicado hoje, 11/03/2014 no jornal “Folha de São Paulo” – edição online.

 

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